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21 janeiro 2011

A polêmica (da vez) da UnB...



Mais uma vez, temos uma universidade pública no cenário dos meios de comunicação: “Estudantes da UnB consomem álcool e drogas dentro das salas de aula”. Essa série de reportagens, publicadas a partir do dia 14 de janeiro de 2011, pelo DFTV, deu o que falar. Em uma delas, o reitor afirma que os alunos mostrados pelas reportagens fazendo o consumo de drogas podem ser suspensos ou até expulsos. Em outra, o prefeito diz que não tinha conhecimento da venda de bebida alcoólica dentro da área acadêmica. E mais, estudante e representante do DCE afirma que “(...) essa discussão sobre o consumo de drogas na UnB tira o foco dos reais problemas da universidade”. Enfim, são tantas polêmicas. A única coisa que posso afirmar é que eu, estudante da Universidade de Brasília, não me senti ofendida, pois sei que a universidade não se resume ao “corredor da morte” ou a festas regadas a bebidas e drogas, enfim.

Esse episódio me fez parar para pensar na atual relação (ambígua e contraditória) entre o Estado/Sociedade e a Universidade Pública Brasileira. Por um lado, os meios de comunicação de massa, os políticos e a população em geral a criticam e a acusam de ser improdutiva, de ser dispendiosa, de ser elitista ou de ser uma instituição distante dos anseios da população. Por outro lado, contraditoriamente, ela é, ainda, reconhecida como uma instituição séria, que oferece ensino de qualidade e que, além de difundir, produz conhecimentos relevantes, enfim, um modelo a ser seguido. O que fica claro, na minha humilde opinião, é que existem reais problemas, sejam eles acadêmicos, políticos e econômicos, e que todos nós podemos e devemos criticá-los. Mas, nunca, devemos julgar e generalizar (como muitos fizeram depois dessa série de reportagens). Vale lembrar que, antes de tudo, a Universidade de Brasília é um local de ensino e de pesquisa e, por isso, merece ser preservada e defendida.

Algumas reportagens sobre o "episódio UnB", clique aqui, aqui ou aqui.

O que vocês acharam da série de reportagens sobre o assunto? Há quem diga que, ao invés de filmar as festas noturnas regadas a bebidas e maconha, deveriam estar preocupados em mostrar as condições precárias que os estudantes são submetidos. Fica a dica.

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Adrielly Torres

09 janeiro 2011

Ainda sobre a transferência (ou recolhimento? ou descarte?) do Arquivo Nacional


Muito se tem dito à respeito da suposta modificação de organograma do governo que retornaria o Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Muitas pessoas acham que o AN será "rebaixado", outras, erroneamente, acham que ele sairia do 1º escalão. Tanto a Casa Civil, como o MJ são do primeiro escalão. Na hierarquia do governo ambos estão na mesma "latitude". Pode-se dizer que a Casa Civil está mais próxima do centro do poder. Na verdade ela não chega a ser um ministério, porém um órgão com prerrogativas de ministério. Antes do todo-poderoso José Dirceu poucas pessoas sabiam o que é a Casa Civil e, muito provavelmente, muitas outras achariam que o Ministério da Justiça teria mais influência. A Casa Civil, como órgão acessório da Presidência está muito mais sujeito às idas e vindas da política do que deveria, em teoria, estar um ministério. 

Palocci não está nem aí para o Arquivo Nacional (até mesmo porque este não consegui se fazer presente na gestão dos documentos da própria Casa Civil em quase uma década). O que ele quer é transformar a Casa Civil em um órgão mais político e menos administrativo. Para tanto, crê ser preciso queimar algumas "gordurinhas burocráticas" para dar mais agilidade ao órgão. Equivocadamente não vê o arquivo como um setor estratégico da administração. Se a idéia for enxugar a Casa Civil para que ela se torne um "escritório político" do Planalto talvez seja melhor mesmo tirar o Arquivo de lá.

A questão primordial não é onde o Arquivo deve estar, se não discutimos melhor quais são esses lugares. Achar que pelo simples fato de a Casa Civil estar mais próxima da Presidência é melhor parece ser uma simplificação superficial. O arquivo, em teoria, tem de estar o mais próximo possível da máquina administrativa; isto é, do Estado. Em um país presidencialista Estado e Governo se confundem (no legado populista de Lula, mais ainda). A Casa Civil é órgão muito mais afeto ao Governo do que ao Estado. Nessa celeuma toda ainda não vi nenhuma linha que discutisse qual deva ser o papel da Casa Civil . 

Institucionalmente tendo a achar que o AN fica melhor alocado na Casa Civil do que no MJ. Politicamente falando, prefiro o Arquivo sob os auspícios do José Eduardo Cardozo (que acima de tudo é legalista) do que sob a tutela do Palocci (acima de tudo "negociador" político). Uma breve pesquisa em imagens sobre a Casa Civil indica que ela talvez não seja o melhor local para o Arquivo, sobretudo se pairam suspeitas sobre o interesses políticos que regem a (ou reinam na) instituição (ver post aqui). Vamos a algumas charges:


Um eventual retorno ao MJ dará ao AN uma ótima desculpa para a tradicional ineficiência. Digo suposto porque, até o momento, ninguém viu portaria, ato, resolução, decreto etc. que propusesse a mudança. Nem a minuta foi apresentada. A imprensa que é tão pródiga em encontrar rubricas e assinaturas em minutas e programas (ver post aqui sobre isso) ainda não apresentou nada.  

De qualquer modo, o triste fato é que, desde há muito, o Arquivo Nacional, tanto no Ministério da Justiça, como na Casa Civil, não vêm respondendo adequadamente às demandas da academia, da administração ou da Sociedade. Será que Palocci está mesmo equivocado ou será que o Arquivo Nacional, do modo com o qual vem atuando nos últimos tempos (anos? década?) não tem a capacidade de ser estratégico? Ou será que isso é apenas mais uma (entre tantas) noção teórica sem correspondência na realidade brasileira?

A questão primordial é discutirmos qual deve ser o papel do Arquivo Nacional. Tal instituição, ultimamente, tem se negado a receber críticas da sociedade e da academia (vide, por exemplo, o episódio lamentável ocorrido no XV CBA em Goiânia, envolvendo críticas, muito bem fundamentadas, do Prof. Sérgio Albite, e não digerias pelos representantes do AN; problemas quanto ao enfoque não plural do Dicionário do AN - ver artigo aqui; recusa em permitir capacitação em nível de doutorado de funcionário, ver post aqui; etc).

Recentemente fiquei sabendo que, em função de outras críticas feitas em congresso (desta feita no XVI CBA, em Santos) e igualmente mal-digeridas, a instituição passou a fazer análise de mérito de trabalhos a serem apresentados em congressos por funcionários do AN (mesmo que um comitê científico, constituído por renomados especialistas, com avaliação às cegas já tenha se manifestado favorável). Em última análise, esse pequeno tribunal inquisitorial interno é quem decide se o funcionário irá (ou não) apresentar trabalho em congresso e se coloca acima dos consultores ad hoc. Por essa razão, a apresentação de trabalhos recentes em congressos por membros do AN é inversamente proporcional à qualidade e à importância do evento.

Se não mudarmos o conceito de arquivo, que deve envolver, necessariamente, uma redefinição das relações do AN com a administração, com a sociedade (universidade incluída), além de maior transparência, as modificações tópicas do governo Dilma serão apenas cosméticas. Ao invés de aproveitar o momento para  buscar redefinir o que dever ser o Arquivo Nacional, temos nos perdido em manifestos, debates inócuos etc apenas para tentar manter o status quo, embarcando em um balão de ensaio, enquanto o presidente do AN sossegadamente goza de merecidas férias e, vez ou outra, deve olhar para o circo que armamos e sorrir com ironia...

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André Lopez

09 dezembro 2010

Dinheiro público, inquérito e diplomática



Há mais de dois, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) se tornou alvo da mídia, protagonizando a saída do reitor e o escândalo da lixeira de R$ 1.000,00, vocês se lembram? E se tornou também alvo de auditorias por conta das inúmeras irregularidades contidas em seus projetos, que são mantidos com o dinheiro público repassado pela UnB.


Passando pelo site do Correio Braziliense, encontrei uma nova reportagem sobre o caso. De acordo com o jornal, "(...) diferentes e tão ou mais graves irregularidades são apontadas por auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU)". O resultado dessa auditoria está em um relatório de 110 páginas, ao qual o jornal teve acesso com exclusividade.

O documento sigiloso mostrado na reportagem detalha as ilegalidades contidas em projetos gerenciados pela Finatec. Analistas da CGU apontaram indícios de fraudes em pagamentos feitos pela Finatec por serviços prestados na área de informática: notas fiscais com numeração baixa, emitidas do primeiro talão, notas fiscais com leiaute e padrão de impressão semelhantes, talões de notas ficais impressas pela mesma gráfica, contas bancárias para recebimento abertas no mesmo banco e agência, todas as empresas abertas como firmas individuais, mesmo contador responsável para todas as empresas. Além do mais, comprovaram que quatro empresas emissoras dos comprovantes de pagamentos funcionavam em endereço residencial e três delas não existiam (seriam empresas de fachada?). E olha que foram escolhidas aleatoriamente apenas 16 notas fiscais pelos analistas para a realização de auditoria (imagina se todas fossem auditadas?). E querem saber quanto a Finatec pagou por esses serviços (como manutenção de computadores e impressoras)? Apenas R$ 55 mil e tudo isso sem licitação.

A reportagem fala ainda sobre ilegalidades nos pagamentos de serviços prestados à Finatec. Quadrilhas foram formadas, houve lavagem de dinheiro, prisões foram decretadas e houve desvio de quase R$ 30 milhões. Não deixem de conferir (reportagem aqui).


Mas, o que isso tudo tem a ver com a Diplomática e com a Tipologia? Tudo. Afinal, estamos diante de documentos inautênticos e falsos. Ao realizar uma auditoria, o profissional está preocupado com os aspectos externo e interno do documento, com a sua mensagem e com o seu contexto de produção (o auditor também faz uso da diplomática, mesmo que sem saber). E é aí que entra a principal questão: existe a necessidade de determinar a autenticidade dos documentos arquivísticos e estudar a sua criação (em qual gráfica foram impressas? Quem é o emissor?), as suas formas (qualidade da impressão, signos especiais, data) e o seu trâmite (funções, contexto, responsável pelo pagamento das notas) para podermos identificar a verdadeira natureza desses documentos. O que vocês acham?

Estava com saudades de fazer um 'mix' entre a diplomática e os acontecimentos do dia a dia.

Vou ficando por aqui.
Beijos.

:)

Adrielly.

23 setembro 2010

"Blogosfera" unida!


Os resultados das avaliações da metodologia de trabalho da disciplina, por parte dos próprios alunos, nos deixam apenas uma certeza: a de que podemos continuar com os blogs como uma maneira interativa de discussão da Diplomática contemporânea. O ensino por intermédio dos blogs ganha intensidade tanto pela maneira didática de aprender brincando, quanto pela oportunidade de se debater Arquivística de uma maneira pop, conforme discutido no post anterior.

A aplicação dos questionários foi realizada nos dois últimos semestres da disciplina, apresentando um universo de 82 alunos pesquisados. Obviamente, essa aplicação se torna preponderante não só pela avaliação do método, mas também pela observação de pontos que devem ser melhorados e discutidos no decorrer da própria disciplina. Um deles é justamente o avesso à exposição que o trabalho com a Web 2.0 acaba oferecendo aos alunos. Podemos observar que a importância do compartilhamento de ideias, tão aclamado pela revolução da internet, não pode se reverter num aspecto negativo dentro do pensamento universitário. Além disso, a equipe da disciplina acredita e bate na tecla de que a universidade é um espaço aberto às discussões, e de que erro e acerto são faces da mesma moeda, fazendo parte do experimentar acadêmico. Como diriam os mais astutos, "o acerto é só um erro que se equivocou".

Dito isso, ficamos felizes em observar que a experiência foi positiva para quase 80% dos pesquisados, observando que o método pode contribuir para a aplicação prática em estágios, por exemplo, dos princípios teóricos discutidos pelo programa do curso. Não só isso, a importância de inserir uma vontade de busca de outros textos, de ir além do que é discutido em sala, traz a vantagem de alimentar um espírito de pesquisa  por novos conteúdos nos graduandos.

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Acrescentando à análise dos resultados o argumento de que se fazer um blog seja uma ferramenta de aprendizagem importante para mais de 70% dos alunos; além de aumentar o interesse pelo conteúdo da disciplina para mais de metade dos pesquisados. Podemos concluir, pela análise do resultados, que esse tipo de iniciativa é uma boa estratégia para o aprendizado dos alunos do curso de Arquivologia da Universidade de Brasília (UnB)..

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À guisa de conclusão, vale ressaltar a importância dos blogs dos semestres anteriores para 65% dos alunos. Fica confirmada a observação de que vale a pena vasculhar os outros trabalhos e compartilhar ideias, já que esse é um dos objetivos da Web 2.0. Bem como reforça a imagem de que a construção do conhecimento se faz "subindo nas costas de gigantes", ou até mesmo anões. A qualidade do conteúdo dos blogs também ganha destaque, tanto que ex-alunos e estudantes da pós-graduação voltam para contribuir na conduta da disciplina. Ou seja, podemos dizer que a receita pelo sucesso temporário da experiência está na união de várias pessoas dispostas a somar, assim como na disposição de todos em discutir. Vamos em frente que quem sabe faz a hora!

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Postado por Rodrigo Fortes de Ávila

07 setembro 2010

Memórias "(re)veladas"


Tentando acordar do sonho kafkiano provocado pela discussão do processo apresentado aqui, nos deparamos com uma matéria publicada na Carta Capital, no mês de agosto, que demonstra o emaranhado político no qual se refugiam os arquivos. Nos comentários do post em questão, observamos a ideia da falta de contribuição real para a instituição, por parte daquele que procura uma capacitação profissional. Não sabemos o modelo administrativo a que essa ideia se refere, mas achamos que está muito mais atrelada à época das cavernas;  pode passar para pegar o Kit Flinstones oferecido anteriormente. Não se levanta aqui um imaginário de guerra, travada entre as pessoas e os interesses da organização. Escutamos um ótimo neologismo no XVI CBA, que está longe do que queremos apresentar. Não se trata de CORPORARQUIVISMO.O ponto central é saber até onde o ideal de que uma instituição de missão altamente democrática pode se utilizar de métodos administrativos chancelados por lobos do antigo regime.

A questão é: e se perguntássemos o contrário? Ou seja, quais seriam os interesses da instituição? Que tipo de profissionais as instituições querem como representantes de sua equipe de trabalho? Qual a qualidade dos profissionais que são escolhidos para os projetos arquivísticos? Que filosofia está embutida na conduta da instituição? Será que temos um interlocutor?

Baixem aqui a matéria e tirem suas próprias conclusões.

Postado por Rodrigo Fortes de Ávila

03 setembro 2010

Personagem de famosa série de TV revela ser fã do Blog de Diplomática e Tipologia Documental

A recente discussão promovida por este blog acerca de como um curso de doutoramento pode comprometer o desempenho profissional de um arquivista (ver post aqui) trouxe de volta um famoso personagem da extinta TV TUPI: o Vigilante Rodoviário. 


Temendo o assédio dos fãs, o famoso personagem não se identificou e optou por permanecer no anonimato. Entretanto os indícios que apontam para ele são bastante fortes, como revelam dois comentários seus feitos no mencionado post:
  • "Condizer com as atuais atividades" e "funções/atribuições de Arquivista" são coisas completamente diferentes. A questão é se ele REALMENTE utiliza o conhecimento adquirido em prol do Arquivo Nacional, ou se a instituição serve apenas como fonte de renda e/ou trampolim para atividades que ele realiza fora dali. Quem está lá dentro, bem sabe, que nem tudo é como parece. Infelizmente. O contexto é tão importante quanto o fato. (Postado por Anônimo em 31/08/2010 22:01:00)
  • E complementando o comentário pouco acima sobre "historiadores amadores", ao que parece, a carreira que ainda não possui "estrada" é a Arquivologia, que pouco mostrou até hoje. (Postado por Anônimo em 31/08/2010 22:08:00)
A defesa do "patrulhamento" por quem é bem rodado pelas "estradas" acabaram por comprometer o anonimato de nosso ilustre internauta.  Longe de querer roubar a "cena" acho que os acurados comentários deste personagem merecem algumas observações:

  • Talvez eu esteja um pouco desatualizado quanto aos novos rumos da história, mas não sabia que a Odebrecht, grande construtora de estrada, tenha mudado de ramo e passado a financiar carreiras de engenheiros históricos nos arquivos. O fato de "nós", ou melhor, vocês historiadores rodoviários, terem, por mais de um século, considerado a Arquivologia como ciência auxiliar da história tenha contribuído para esse estado de coisas. Na minha época não era a Odebrecht que estava em voga, porém um alemão chamado Brecht que nos instigava a não se calar perante injustiças. 
  • Definir, como o Sr. advoga no coment das 22h01, o controle institucional da ciência já levou a humanidade para "caminhos rodoviários" sem saída. A Inquisição, o "Socialismo Científico" (como área do "conhecimento") e a queima de livros pelos nazistas são apenas exemplo da tentativa de instrumentalização da ciência para este ou aquele fim. Caso o Sr. tenha interesse sobre opiniões mais detalhadas minhas sobre esse assunto indico que acesse aqui outro post em meu blog de metodologia. Quem tem o poder de dizer o que é realmente útil para o Arquivo Nacional? Eu, há anos, tenho criticado a resolução 14 do CONARQ, mas tais críticas não parecem ser úteis para o AN, porque vão na direção contrária do que a instituição postula (sobre esse ponto, ver, por exemplo, post anterior aqui). Em 2008, no Congresso Brasileiro de Arquivologia, fui ofendido por uma servidora do AN que não admitia que eu discordasse de um verbete do dicionário de nossa maior instituição arquivística posto que ele fora escrito com base em parecer jurídico sobre a legalidade do "ser arquivísta". Não parece ser o caso de chamar a CBDA para instalar um trampolim, porém de tentar entender qual é o nível de debate, e as críticas dele resultantes, que a instituição está disposta a patrocinar em nome da ampliação da construção do conhecimento científico na área. Do contrário, o AN continuará a integrar a literatura acadêmica apenas por meio de suas normatizações técnicas ao invés de contribuir com discussões científicas reconhecidas por quem faz ciência no país e no mundo. 
  • Como professor de um conceituado curso de Arquivologia gostaria muito que meus alunos almejassem ser arquivistas do AN; como coordenador de um conceituado curso de pós-graduação em Ciência da Informação eu também gostaria que os arquivistas do AN pudessem se aperfeiçoar na pós-graduação, ajudando a tornar a área mais científica. Se isso não começar a ocorrer, a pós-graduação com temas da Arquivologia estará fadada a continuar a "pegar carona" nos programas de História ou de Ciência da Informação. Meu desejo é que a Arquivologia possa construir uma "estrada" ampla e segura a ponto de não precisar de "patrulhamento".
Sugestão de atividade: discutir a autoria e a autenticidade diplomática dos coments do Vigilante Rodoviário. Um bom subsídio pode ser encontrado no desafio sobrenatural proposto pelos alunos desta disciplina. Acesse aqui o post-desafio do Diploarte e veja como o debate aberto estimulado por este blog pode contribuir para a formação de novos arquivistas.

Esse tipo de inovação no aprendizado de Arquivologia recebeu indicação para o prêmio internacional FRIDA. Veja o post aqui e VOTE por este blog acessando este link.

26 agosto 2010

Será que o doutoramento é uma capacitação profissional desejável para os arquivistas?

Imagem copiada de Art & Culture Maven

Muito tem sido discutido no Brasil sobre a formação profissional dos arquivistas. A clássica querela sobre a obrigatoriedade ou não do diploma começa a ser superada por um questionamento mais tangente. Alguns daqueles que defendem a "reserva de mercado" para os diplomados o fazem de boa fé, acreditando que somente uma graduação específica, com carga horária e disciplinas pertinentes, é capaz de formar um profissional plenamente adequado aos arquivos. A pergunta atual é se tal profissional seria tão intensamente capacitado que dispensaria qualquer outro tipo de formação posterior, uma vez que um aprimoramento da formação poderia representar falta de compatibilidade com a função de arquivista.

A pergunta, longe de ser um exercício de ingênua retórica, é parte do processo kafkiano ao qual o arquivista Elizer Pires da Silva (ver Lattes aqui) vem sendo submetido, para tentar, sem sucesso, conseguir autorização para cursar doutorado na UNIRIO, como ele bem relatou em e-mail a este blog:


A atividade sugerida para todos aqueles que se preocupam com a formação dos profissionais de arquivo no Brasil, sendo ou não alunos da UnB é analisar criticamente o e-mail acima. Os que desejarem podem ainda analisar diplomaticamente uma das páginas do mencionado processo kafikiano na qual o arquivista expõe os os motivos que justificam a sua compatibilidade com o curso de doutoramento:


As respostas podem ser postadas diretamente nos comentários deste blog. As melhores concorrerão a um kit-flintstone de arquivos pessoais, composto por machadinha e pranchas de pedra: a última novidade tecnologia da informação, ideal para quem acha que pós-graduação é coisa do passado.

Falando em premiação não esqueça de VOTAR nesse blog para o prêmio internacional FRIDA, acesssando este link.  Ver post aqui

Postado por André Lopez

20 agosto 2010

Arrumando as malas!


Retomando o fôlego, aos poucos a equipe vai retornando as atividades rotineiras desse compromisso online. Estamos aí. Embora não envolvidos diretamente, estamos trabalhando para as apresentações nos Congressos. Até o presente momento, as malas já estão quase prontas para o XVI Congresso Brasileiro de Arquivologia, que será realizado em Santos (SP), na próxima semana. Tal evento é "realizado com regularidade desde 1972, visando promover o debate entre os profissionais da arquivologia e a integração na área. É um evento especializado que reúne pesquisadores, professores, arquivistas, profissionais de informação e dirigentes de entidades públicas e privadas em torno das principais questões da arquivologia e da gestão de instituições arquivísticas".

Um evento desse porte assume importância ímpar nos debates e discussões de temas contemporâneos. Soma-se a isso a disponibilidade de conversar sobre os trabalhos de colegas que lidam com os mesmos problemas no dia a dia, bem como observar linhas de pensamento e os rumos a que a Arquivística vem se debruçando.

Durante o evento acontecerá a I Reunião de Pesquisadores de Tipologia Documental, com o intuito de congregar experiências relacionadas ao tema em questão. A reunião tem a iniciativa e coordenação da Dra. Ana Célia Rodrigues, da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, que já visitou a nossa universidade em outras oportunidades.

Diante de tantos pontos positivos, a nossa equipe não poderia deixar de estar lá. Aliás, vocês estarão lá! Estaremos representando os blogs desse semestre e dos predecessores com o trabalho intitulado "Blogs de Diplomática e Tipologia Documental como instrumento de aprendizagem: uma experiência da Universidade de Brasília (UnB)" (acesso aqui o resumo) . E é com satisfação e orgulho que teremos bons blogs para mostrar ao público.

Enquanto isso a gente vai colocando um monte de coisas na malinha aqui de baixo. Porque na volta ela sempre vem mais cheia. E é por isso que vale a pena.

Equipe de Diplomática

26 julho 2010

Entrevista sobre o SAUSP

Um dos primeiros sistemas de arquivos universitários a ser implantado no Brasil foi o SIARQ da Unicamp, O CEDEM, da UNESP veio depois. Nas três grandes universidades de São Paulo o SAUSP foi o último, porém produziu importante material de referência sobre os arquivos universitários, solidamente embasados na teoria arquivísitica.

A coordenadora do sistema, Johanna Smit, que já esteve na UnB proferindo palestra sobre o tema, conta um pouco dos percurso do SAUSP:

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Acesse aqui a página do SAUSP e baixe as publicações de referência.

Sugestão de atividade:
Baixe aqui o "Glossario das espécies...." e o analise à luz das discussões da disciplina.

Postado por André Lopez.

30 junho 2010

Mesa Redonda sobre pesquisa e formação do arquivista.


Nesta 5ªf, 01/07, às 19hs, na sala 120 da FCI ocorrerá mesa-redonda sobre A importância da pesquisa na graduação para a formação do arquivista, com as Profas. Telma Campanha de Carvalho (coordenadora de curso de graduação da UNESP-Marília) e Darcilene Sema Rezende (presidente da comissão de reforma curricular do curso de arquivologia da UnB) e a pesquisadora Flávia Helena de Oliveira. Flávia é a autora da dissertação "A formação do arquivista na UnB frente às demandas profissionais e de mercado da Capital Federal", já discutida em diversos posts deste blog:
O evento é aberto a todos os interessados.

Postado por André Lopez

27 junho 2010

Interfaces entre diplomática e classificação.


Na última semana de maio, como desdobramento da discussão sobre a tipologia documental dos Archiveros de Madrid, esse blog lançou um post-motivação relativo á preponderância do documento (caracterizado diplomaticamente e por suas funções) na organização documental em contraposição à adoção de esquemas pré-definidos, pautados pelos conteúdos dos documentos. Em cinco dias houve mais de 30 comentários, que representaram um interessante debate sobre às práticas de classificação adotadas no Brasil, com um olhar crítico às determinações do Conarq. A discussão ainda trouxe à baila os procedimento adotados pelo Arquivo do Estado de São Paulo. Como estado da Federação e, portanto, vinculado à cabeça do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR), o AESP não poderia, em tese, furtar-se à resolução 14 do Conarq, ou poderia? 

De qualquer modo, a discussão, a partir da classificação embasada nas espécies e tipos documentais promove um importante debate sobre as práticas adotadas no Brasil, normatizadas por um esquema temático de quase 10 anos de idade. Essa discussão é mais do que necessária para o avanço da área, porém nem sempre é aceita por parte daqueles que detém o poder de chancelar o que é e o que não é arquivisticamente válido no Brasil, independentemente do embasamento teórico e científico. Discussão sobre as posições formais do Arquivo Nacional que minam o tão necessário debate acadêmico foi realizada durante o XV Congresso Brasileiro de Arquivologia em Goiânia, em 2008.  Quem tem medo do debate?


Links relacionados ao tópico:

23 junho 2010

Interrompemos nossa programação para postar NOTA DE ESCLARECIMENTO


Isso é o que eu odeio na cultura de Brasília: as pessoas sempre dão opinião pensando em agradar ao interlocutor ou em não ofendê-lo. Tem gente que chama isso de política. Na academia isso se chama "não-ciência". Se eu quisesse que as opiniões daqui fosse concordantes com as minhas eu não abriria o debate. Simplesmente "meteria conteúdo goela abaixo" dos estudantes e depois faria uma prova "objetiva" para premiar aquele que melhor reproduzisse as minhas idéias. Acho que assim procedem muitos colegas.

Fico muito chateado em ver que os alunos "desconfiam" de minhas "boas intenções" e raramente exprimem opiniões discordantes do que eu defendo. Ou, quando o fazem, ficam temerosos de serem reprovados por isso. A reprovação (ou não) é fruto do aproveitamento do aluno na disciplina e não tem nenhuma relação com o fato de concordar com minhas opiniões, ou buscar uma participação "politicamente mais correta".

Universidade é isso: debate e troca de idéias. A crítica e a discordância sempre vão ser coisas de difícil aceitação. A minha preocupação não é em ter fãs, alunos (ou macacos) treinados a reproduzirem minhas idéias. O que me move é a formação dos alunos; é tentar ajudá-los no processo de aprendizagem. E aprendizagem é um processo no qual o aluno é o principal agente ativo. Só aprende quem quer e quem busca superar os desafios. O que tento fazer é isso: propor desafios, muitos, para que vocês reflitam, indaguem, questionem e formem o vosso próprio conhecimento, não o meu, não o do professor "x" e nem o do Conarq, mas o de vocês, como agentes da própria formação pessoal. Vocês se lembram de qual foi o primeiro texto que passei em aula? Uma nota do Stephen Kanitz sobre aprendizagem (veja aqui).

A provocação, a brincadeira fazem parte de minha estratégia de ensino, assim como a discussão aberta e franca. Aqui em Brasília noto que as pessoas têm muita dificuldade para conviver com isso: alunos de graduação que se sentem desconfortáveis em dar uma opinião, muitas vezes nem têm uma opinião própria; alunos de pós que ficam "ofendidos" com sugestões (supostamente indevidas) de colegas; alunos de pós que ficam "travados" com críticas de outros professores e correm chorando para o colo do orientador (isso me obrigou a uma postagem específica, veja aqui); alunos de graduação que ficam "sacando" o professor para ver se descobrem onde está a "pegadinha"; alunos de graduação que ficam polemizando e "testando" o professor; etc. etc. etc.

Da terra de onde venho, São Paulo, a brincadeira faz parte de nosso cotidiano e, como disse uma vez o maior filósofo corinthiano de todos os tempos, Vicente Matheus: quem está na chuva é para se queimar. Se eu brinco com vocês sou OBRIGADO a aceitar o troco. Certa vez fiquei "alugando" um aluno que foi na aula com o uniforme completo da Mancha Verde. Adivinhem qual foi o trabalho final  dele: análise diplomática de um ingresso (obiviamente falso, posto que a informação não é verídica) de uma final entre palmeiras e o Glorioso Timão. Qual foi a nota do trabalho? Não lembro, mas não foi muito alta porque o trabalho tinha problemas e não porque me provocava. Ah, apesar disso ele foi aprovado. Não Matheus, não vou te aprovar, ou reprovar, porque você é, às vezes, implicante e chama o blog-mãe de blog-vó. A suas opiniões, pertinentes, ou não, adequadas, ou não, fazem parte do SEU processo de aprendizagem nessa disciplina. A equipe da disciplina provocou isso, abriu e estimulou esse espaço a ser utilizado. Às vezes sai faíscas? Sai sim. É normal. É sinal que os gurgumilhos estão trabalhando. Às vezes as tensões se elevam porque é normal que isso aconteça em equipes dinâmicas. Ah... se vocês tivessem (se é que já não têm pela rádio-fofoca) noção das faíscas que soem ocorrer na equipe do blog...  Não Tatiana, Felipe e outros querubins, não quis desmerecer o blog de vocês e nem "infantizar" vosso trabalho ou ser homofóbico (falando nisso colei um adesivo na porta de minha sala e algum idiota arrancou). 

A nota triste é que do Diploarte basicamente vejo Matheus e Fabiana participando e ele com temor de reprovação. O Felipe foi o único do Queer Beings que veio falar comigo. O Pedro Davi está sempre na área também, com alguma dose de polêmica. E os outros? Onde estão as opiniões dos outros alunos? Tá bom, reconheço, estou sendo injusto, tem mais gente que também participa com uma certa frequência (se você se enquadra nessa categoria, desculpe-me por não tê-lo citado nominalmente), mas, há uma maioria silenciosa que tenta se manter em um pseudo-anonimato bem comportado, "cumprindo tabela" apenas. Vai lá vez ou outra e faz um coment básico para marcar presença.

Só aprende quem se expõe, quem está aberto a correr riscos. Risco de crescer, de ver as certezas do atual mundinho serem questionadas e, pior ainda, questionadas em público, via web. É, a universidade e a ciência tem dessas coisas mesmo. Minha pequisa está lá no meu blog (acesse aqui), sujeita a todo o tipo de opinião e comentário, para o bem e para o mal. Geralmente aquelas críticas mais fortes, bem FsDP mesmo, são as melhores, aquela que fazem a gente refletir e mudar o que estava fazendo. Vocês já repararam que não faço filtragem e mediação para publicação de coments? Quem quiser vai lá e escreve o que bem entender. Se não está à vontade para se identificar (o que é complicado) faz o coment como anônimo e pronto. Só ensina quem se expõe também e se dispõe a correr os riscos lado a lado com os aprendizes. Vocês imaginam o quanto um post desses me expõe?

Por favor, acusem-me (devida ou indevidamente, não importa) de ser grosso (como já fizeram), louco, desorganizado, arrogante, exigente, rígido, sério, de não ser feliz nas brincadeiras etc. (deixo à vocês o arrolamento de outras características), mas não me acusem de perseguir alunos. Dou aulas na universidade pública desde 1994 e me dedico muito às minhas funções docentes para ter esse tipo de atitude. Não me rebaixaria a isso. 

VOLTAMOS AGORA PARA NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL:

Clique na imagem para maiores detalhes

Postado por André Lopez

18 junho 2010

Diplomática é discutida em blog da pós-graduação em CI


A disciplina de Metodologia do curso de pós-graduação em Ciência da Informação também está trabalhando com blogs. Lá cada aluno é "estimulado" a ter sua pesquisa desenvolvida e divulgada em blog próprio. Como a turma apresenta alunos com formação bem diversificada, nem sempre os conceitos são inteligíveis a todos. Um dos projetos trabalha com elementos da Diplomática em sua proposta. Visando esclarecer aos demais colegas sobre o conceito o mestrando Leonardo Moreira fez um post didático sobre o que é Diplomática.

Acesse aqui o blog de Metodologia em CI.
Acesse aqui o post do Leonardo.

Sugestão de atividade: acessar e comentar o post do Leonardo no blog dele.


27 maio 2010

O cheiro do ralo



A agência de comunicação da UnB divulgou hoje uma notícia sobre um assunto que já foi discutido aqui no blog: recém-formados trocam profissão por concurso público. Mesmo que a atividade exercida após a formação não tenha nada a ver com a graduação, os egressos preferem a estabilidade financeira e os altos salários oferecidos pelos editais de concurso público. Outro aspecto apontado foi a falta de identificação com o curso durante a graduação. Isso recai sobre a fraqueza da orientação profissional que é realizada no ensino médio. Ou seja, quatro ou cinco anos de conhecimento especializado jogados no ralo. Essa discussão faz lembrar o filme O Cheiro do Ralo. "Esse cheiro não vem de mim não. É do ralo". Mas quem usa o banheiro?

25 maio 2010

O acervo do "Beijódromo"

Não, não... Não é nada relacionado ao blog "Pode beijar a noiva". Fique tranquilo, o que está em jogo agora é o novo prédio em homenagem a Darcy Ribeiro, que será inaugurado no próximo 26 de outubro, ano em que o educador faria 88 anos. O novo espaço custará 8,5 milhões de reais, e tem como objetivo tornar-se um ponto de encontro entre os "casaizinhos" românticos da universidade. Além de representar um espaço de debates de temas contemporâneos do universo acadêmico. Sendo assim, o projeto representa o ponto de vista amplamente afetivo do educador.

O local também contará com acesso aos arquivos que registram a história deste ícone da educação. Assim, o ponto de encontro dos namorados também será um espaço de estreito relacionamento com a trajetória histórica de Darcy Ribeiro. Mas a pergunta que não cala é: quem fará o tratamento do acervo que será disponibilizado? Será que a nossa universidade tem clareza acerca do profissional que realizará o trabalho? Arquivo, biblioteca ou museu? Será que a UnB sabe ao certo quem é o responsável pelo tratamento da documentação? Depois da discussão da última aula, ficou clara a necessidade de entender como se produz um documento, como se usa e pra que se guarda. Estes elementos são essenciais para o entendimento quanto ao seu modo de tratamento e para encaixá-lo como um objeto de estudo das três áreas que representam agora o universo da nova Faculdade de Ciência da Informação. E se te chamassem pra trabalhar com o acervo, o que você diria?

12 maio 2010

Preparado? Azul ou vermelha?

Fomos à rua (ops... online) e escutamos quem realmente tinha o direito de opinar com relação à formação do arquivista. Está encerrada a enquete relacionada à questão da preparação dos arquivistas para o mercado de trabalho. Com 65 votos no total, os resultados apresentam o seguinte quadro:


O CURSO TE PREPARA BEM PARA O MERCADO?

Não ............................... 13
Depende mais do esforço pessoal ... 36
Sim ............................... 16



Como pode ser observado, o fator pessoal é o elemento que mais pesa para se formar um bom profissional. As discussões acerca do papel da universidade na vida de um graduando já foram mencionadas aqui no blog. Em conversas informais com profissionais e estudantes da UnB, percebe-se que as questões apresentadas como deficitárias são discutidas em todos os cursos do Campus. A distância entre a graduação e o mercado de trabalho parece ser a tônica das discussões universitárias. É aquela velha pergunta: você quer tomar a pílula azul ou a vermelha? Com tantos elementos que devem ser englobados na formação acadêmica (pesquisa, ensino, extensão, aplicação profissional, estágios, cidadania, senso-crítico, autonomia...) a universidade continua no seu "estado esquizofrênico", tentando observar todos esses quesitos. E nós estamos aqui. Na luta de apontar outros rumos nesse mar do mercado de trabalho. E já que depende mais de você: que cor vai querer?

07 maio 2010

Você tem fome de quê?

Com todo o "estardalhaço" causado pela matéria da SECOM/UnB em cima da dissertação da Flávia Oliveira, um questionamento ficou batendo aqui na "caixola". Afinal de contas, pra que serve uma universidade? A coordenadora do curso de Arquivologia da UnB, Cynthia Roncaglio, frisou que os conteúdos da mesma não devem estar à mercê dos ditames do mercado. Será que o intuito é formar pesquisadores ou "concurseiros de plantão"? Ou pior, um cara que fica batendo carimbo dentro de uma repartição pública?

O trabalho dos blogs de diplomática versa pela imagem de um laboratório que funciona a céu aberto. De uma simples ideia surgem trabalhos excelentes. E que, inclusive, podem ser aprofundados futuramente num projeto de mestrado. É um laboratório onde a gente brinca, pega os ingredientes, mistura, põe nos tubos de ensaio, e daí pode surgir uma porção promissora. Somos como pequenos cientistas. E o que realmente importa aqui é aguçar a nossa curiosidade.

A finalidade de uma universidade pública deve ser orientada pelo incentivo aos mecanismos de ensino, pesquisa e extensão. Isso pode acontecer num país onde o contracheque de quem está na ponta do processo apresenta estes valores? Tá certo, você vai dizer "o diploma que é dado na solenidade de colação de grau vai ser utilizado como bem entender por quem o recebe". E ainda pode ter a mesma opinião desse tipo aqui. Ninguém faz ideia de quem vem lá.

A impressão que fica é a de que cada canudo com o diploma de graduação representa uma garrafa jogada ao mar, com uma mensagem dentro. E que ninguém sabe em que areia ela vai parar. Mas qual conteúdo o professor, a universidade e o aprendiz devem inserir nessa mensagem? A gente se sente dentro de um restaurante diversificado, onde o aprendiz pega o seu prato e escolhe o que vai comer. A moça do caixa me pergunta: "e ai arquivista, você tem fome de quê? Pegue o seu prato e sirva-se à vontade". Será que você sabe o que quer colocar no prato?

05 maio 2010

Flávia Helena Oliveira disponibiliza dissertação

Flávia Oliveira, arquivista e mestre em Ciência em Informação pela UnB, disponibilizou para este blog sua dissertação de mestrado sobre a formação do arquivista na UnB, cuja divulgação equivocada de conteúdos pela SECOM abalou seriamente a imagem do curso de Arquivologia. A autora também aceitou a oferta do blog e deverá, tão logo finalize um artigo, publicar aqui um texto que discuta mais profundamente a situação.

Baixe aqui o trabalho da Flávia e tire suas próprias conclusões sobre a pertinência da críticas da SECOM. Não esqueça de usar o campo comentário para anotar suas opiniões. 

Sugestão de atividade: publique em seu blog uma resenha do trabalho da Flávia. A melhor delas será disponibilizada, na íntegra, nesse blog e encaminhada para o processo de avaliação e análise, com vistas a possível publicação pela Revista Ibero-americana de Ciência da Informação (acesse aqui a página da RICI). Apenas encaminharei o material. A decisão final e a análise cabe ao corpo editorial da RICI.

Ainda não recebi cobranças, mas antes disso me comprometo a dar os resultados pendentes dos desafios anteriores.

EM TEMPO:
O blog Ciência Brasil engrossou às criticas ao ocorrido com a imagem do curso de Arquivologia (acesse aqui post sobre isso)

SECOM publica direito de resposta da Arquivologia

5 dias após a infeliz reportagem sobre a qualidade do curso de Arquivologia da UnB, feita para própria Secretaria de Comunicação da instituição, uma resposta da Arquivologia, foi, finalmente publicada (acesse aqui a resposta da coordenadora do curso, Profa. Dra. Cynthia Roncaglio). 

O triste é o veículo oficial da UnB sendo utilizado para denegrir a imagem de um dos melhores cursos do Brasil em sua área. A SECOM realmente publicou a nota da coordenação (erroneamente chamada de "direção") mas não fez nenhum esclarecimento sobre como procedeu em relação aos fatos na nota original, bem como não explicou o motivo de buscar uma opinião sobre o curso de Arquivologia com um professor de outro departamento (da Administração) totalmente alheio às especificidades da área? Basta ver o Lattes do professor citado no último parágrafo da nota original da SECOM. O primeiro a conseguir postar aqui o link do Lattes do referido professor ganha (com frete pago) um exemplar da obra Tipologia Documental de Partidos e Associações Políticas Brasileiras (esgotada) assinada pelo autor. Quem não achar o Lattes dele e quiser a obra mesmo assim é só baixar aqui.

Este blog, como um instrumento de apoio didático à formação dos arquivistas da UnB, não se eximiu do debate e foi o único blog que saiu em defesa da qualidade do curso da UnB, dando voz à pesquisadora Flávia Oliveira. Outros veículos de redes sociais, como o blog do Sinarquivo ou a lista de Arquivologia da UFBA limitaram-se à reproduzir a nota falaciosa, sem nenhum tipo de comentário crítico. 

O blog completará um ano no dia 25 próximo, e tem sido utilizado como uma importantíssima ferramenta de apoio didático à graduação, auxiliando no processo de intercâmbio didático e desmentindo a afirmação do reporter da SECOM de que o curso "passa ao largo" dos avanços tecnológicos. O projeto já foi apresentado em eventos científicos (inclusive no IV Workshop Internacional de Ciência da Informação) e provocou, por enquanto, a criação de 31 blogs de alunos sobre o tema. O blog como um instrumento didático entende que o debate acadêmico, independentemente das posições, é um elemento precioso para a formação de novos arquivistas, que sejam capazes de transcender ao atual corporativismo classista e não temer a livre troca de idéias. Por essa razão está aberto a todas as contribuições que fomentem uma discussão crítica de alto nível.

Mande sugestões de colaboração, participe, comente e divulgue em suas listas. Esse é um espaço aberto!

30 abril 2010

Cuidado! Não é um cachimbo.


Vocês achavam que iríamos passar ao largo dessa discussão, né? Lógico que não. Estamos antenados, apurando os fatos para apresentar um posicionamento mais seguro acerca da nota que a SECOM/UnB (Eis a fonte!) divulgou sobre a pesquisa defendida, no próprio CID, pela arquivista Flávia Oliveira. A pesquisa chama atenção para a desatualização do currículo profissional do curso de arquivologia diante das demandas do mercado de trabalho. O percurso metodológico da dissertação contrapõe as disciplinas obrigatórias do currículo com as habilidades requeridas pelos editais de concurso público.

Os principais motivos para o quadro de desatualização apresentado pela dissertação são os seguintes:

- O descompasso entre as tecnologias de informação e a habilidade dos profissionais de arquivo em manejá-las; Cabe aqui destacar que, pelo menos nesse quesito, esse blog vem sendo muito bem utilizado como ferramenta de aprendizagem pelos nossos alunos;

- Desatualização da grade curricular do curso, adotada em 1974.

Esses fatores acarretam na insatisfação dos empregadores para com os recém-egressos do curso de Arquivologia, principalmente pela falta de reflexão durante o período de universidade. Isso denota na incapacidade de elaboração de planos de classificação e tabelas de temporalidade documental por parte dos arquivistas que se aventuram no mercado. Ao que parece, o principal entrave é a dificuldade de aplicação prática dos princípios teóricos aprendidos durante a vida universitária.

Contudo, cabe questionar o verdadeiro papel de uma universidade pública, e até mesmo do profissional de arquivo. Pra que serve uma universidade? As nossas habilidades devem ser subjugadas aos editais de concurso público? Além disso, exercemos com plenitude estas funções após a investidura no cargo? Arquivistas para quê? A coordenadora do curso, Cynthia, ressalta que o ensino universitário não deve ficar à mercê dos ditames do mercado. A própria pesquisadora, Flávia Oliveira, afirma que o interesse particular dos alunos em "passar em concursos públicos acaba tomando o lugar da reflexão sobre a realidade do ofício".

Mas agora vamos aos fatos. O making off do filme revela outra cena. Segue resposta redigida pela própria pesquisadora, retificando os pontos da matéria que não condizem com os resultados apresentados pela pesquisa.

Caro (--------) ,

Gostaria de fazer algumas considerações sobre a matéria elaborada por você e publicada hoje sobre a minha dissertação e sobre o curso de Arquivologia. Acredito que algumas informações obtidas por meio da dissertação e de entrevistas foram mal interpretadas e outras estão realmente equivocadas.

Destaco 3 pontos que merecem uma retificação:


1º: Ponto: “Não bastasse isso, o currículo adotado pela UnB para a formação de arquivistas está defasado em 26 anos”


O currículo sofreu acréscimos de algumas disciplinas durante o funcionamento do curso. De acordo com o quadro 1, apresentado na página 20, foi acrescentada a disciplina: Introdução a Microinformática e foram modificadas as disciplinas: Contabilidade Geral foi substituída por Sistemas Contábeis Aplicados à Arquivologia, Análise Documentária foi substituída por Análise da Informação,


2º: Ponto: “A pesquisadora não apenas identificou as quatro atividades exigidas pelos empregadores que não são contempladas no curso da UnB, como constatou que elas estão entre as mais procuradas pelo mercado de trabalho. Para chegar a essa conclusão, Flávia criou um ranking das tarefas mais cobradas. Fez isso a partir de um comparativo entre as 33 disciplinas obrigatórias e optativas oferecidas no curso e as 38 habilidades relacionadas nos editais de concursos públicos, a principal fonte de contratação de arquivistas”


Na comparação entre a estrutura curricular e as habilidades demandadas sobre o curso, foram identificadas quatro atividades que não são abordadas. Quatro entre 38 é uma porcentagem pequena e o capítulo 3.2 conclui que: “Contudo, se das 38 atividades identificadas nos editais de concurso público somente essas quatro não fazem parte das ementas disciplinares e dos planos de ensino do curso de Arquivologia, infere-se, que o currículo do curso de Arquivologia aborda a maioria dos conteúdos relacionados como necessários para o desenvolvimento das atividades arquivísticas no mercado de trabalho.” (p.94) Desse modo, a interpretação que vc utilizou na matéria não está de acordo com as conclusões da pesquisa.

3º: Ponto: “a pesquisa de Flávia aponta que a porcentagem de desligamentos do curso está entre as maiores da UnB. Chegou a uma média de 22,02% entre 1998 e 2002”


Dissertação: Estatísticas de Desligamento – páginas 55 à 61.
A FA (Faculdade de Estudos Sociais Aplicados), que hoje é a FACE, apresentou os maiores índices de desligamento no período observado (p.58) No entanto, esses números são mais altos nos cursos de Administração e Contabilidade. Os cursos de Arquivologia e Biblioteconomia apresentaram números baixos. (p.60) O cursos de Arquivologia apresentou um dos MENORES ÍNDICES DE DESLIGAMENTO da Unb. O índice médio do curso de Arquivologia foi de 3.01%, enquanto o menor entre as outras faculdades foi de 1,07% e o maior 11,3%. (p.60)

Sendo assim, o último parágrafo sobre o “abandono” do curso deveria ser retirado do site com urgência.


Solicito, portanto, uma retificação na matéria que, da forma que foi apresentada, somente desqualifica o curso de Arquivologia e não contribui para a melhoria do ensino universitário. Os diversos pontos positivos apresentados na dissertação, tais como, o crescimento da procura pelo curso, a redução da porcentagem de abandono e o aumento da procura pelo profissional no mercado de trabalho, não foram considerados na matéria.


O que nos resta é dizer: Não é um cachimbo. Não precisa colar o nariz na tela. É só uma imagem. E daí? O que você acha? Está sendo bem preparado? Dê o seu pitaco aqui e responda a enquete ao lado.