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28 fevereiro 2011

Sinais de validação e autenticidade


Os sinais de validação são parte da garantia da autenticidade dos documentos, sejam eles de arquivo ou não. O governo brasileiro adotou recentemente duas medidas de renovação de tais sinais em dois importantes documentos: as novas cédulas de dinheiro (acesse aqui o material do Banco Central) e o novo passaporte, com chip (veja aqui a página da Polícia Federal). Um desses documento é de arquivo e o outro, em princípio, não. De qualquer modo, por estarem presentes no dia-a-dia de diversas transações administrativas, a ampla divulgação de suas características e de como podem ser as fraudes reconhecidas faz-se presente. Aparelhos e canetas identificadoras de dinheiro falso não são mais novidade desde a época da inflação descontrolada, quando muitas pessoas recorriam à compra de Dolares, nem sempre de fontes confiáveis, para protegerem sei pé-de-meia. Hoje em dia há máquinas específicas não apenas para a detecção de dinheiro falso, mas também para documentos pessoais, como os passaportes, por exemplo (ver site aqui). Ano passado, participando de uma conferência sobre arquivos na Romênia, tive a oportunidade de visitar na Academia de Polícia (que é ligada ao Ministério de Assuntos Internos) um laboratório destinado à formação de futuros agentes de fronteira, com diversas máquinas e exemplos de passaportes de todos os locais do mundo:

A autenticidade, é o elemento fundamental para que qualquer documento posa atuar plenamente de acordo com as funções para as quais foi concebido. No caso de documentos frequentes é bastante comum encontrar normas, padrões e critérios de validação bastante elaborados e complexos. 

No universo vasto dos arquivos é preciso, entretanto, tomar cuidado com a autenticidade de documentos nem tão usuais e nem tão conhecidos, para não corroborar, eventualmente fraudes ou operações ilícitas. Transpondo a temática para um universo discente é válido perguntar quantos alunos não estariam comprometidos se aparelhagens similares não fossem inventadas para verificar a autenticidade de atestados médicos (sobretudo àqueles emitidos em datas de provas). Uma aparelhagem eletrônica, no momento é despropositada já que os atestados não têm características de validação fisicamente comprováveis pela tecnologia. No entanto, há mais de três séculos, desde de a obra de Mabillon, de 1683, a diplomática vem desenvolvendo tais mecanismos, capazes de "dissecarem" cada uma das espécies documentais, em busca da definição de seus padrões e características de autenticidade. Ela está não apenas nos aspectos físicos, como também informacionais, por exemplo, não é preciso ler a cartilha do Banco Central e nem buscar marcas-d'agua na nota reproduzida no topo deste post para saber que ela não é autêntica.

O Banco Central se precaveu e lançou campanha explicativa. Os controles fronteiriços além de formações específicas têm maquinário eletrônico para auxilio. Até quando alguns alunos (maus) teimarão em entregar atestados "duvidosos"?

Sugestão de atividade: identifique neste blog posts relacionados à falsificação de documentos, que tenha sido descoberta devido à falta de conhecimento diplomático por parte dos fraudadores.

07 fevereiro 2011

Os arquivos sigilosos da Wikileaks


Sabe aqueles documentos que você sempre quis ter acesso, mas que não conseguia por serem de caráter sigiloso? Sabe aquele gosto sedento pela via pública de segredos privados? Pois bem, nem só de BBB vive a especulação. O site Wikileaks é tudo o que você sempre quis encontrar.

A organização transnacional sem fins lucrativos, com sede na Suécia, foi lançada em dezembro de 2006. Em seu site publica posts de fontes anônimas, contendo informações sensíveis vazadas de governos ou empresas. Ao longo de 2010, a Wikileaks publicou mais de 250 mil documentos oficiais do governo norte-americano, contendo inclusive o manual de tratamento de prisioneiros na prisão militar de Guantánamo, e informações "quentíssimas" sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. 

O Brasil aparece entre os relatórios sigilosos publicados pela organização em vários assuntos, que vão desde a Copa do Mundo e Olimpíadas à exploração de Urânio pelas Farc's. (CONFIRA AQUI!) A organização já ganhou tanto destaque pelo mundo afora que já chega a ser uma forte candidata ao Prêmio Nobel da Paz, pela iniciativa de transparência dos direitos humanos e crimes de guerra.

Em meio a tantas polêmicas, a probabilidade de extradição à Suécia do então fundador da organização, cujo julgamento ocorrerá hoje e amanhã, ganha contornos de revanchismo político. O criador da iniciativa se defende pelos supostos crimes sexuais a duas mulheres numa visita a Estocolmo. Mas as especulações são de que os Estados Unidos estariam investigando o ativista por espionagem, tanto que até mesmo o Twitter foi chamado a dar detalhes dos colaboradores do site. (LEIA AQUI!)

A grande discussão que vem ocorrendo sobre a publicação de informações sigilosas por esta organização coloca os arquivos em evidência. Acredito que você agora deva estar se questionando: como eles conseguem obter essas informações? E ser formos mais adiante, será que realmente é uma boa iniciativa a transparência quanto a esses tipos de questões? O debate ganha uma intensidade ainda maior ao ser colocado diante de um contexto histórico que reivindica a abertura dos arquivos do período da ditadura militar brasileira. Imaginem o tanto de informações polêmicas que sairiam desses arsenais que estão trancafiados a sete chaves  por aqueles que estão agora no poder? E você arquivista, o que pensa sobre tudo isso?

Rodrigo Fortes de Ávila

27 dezembro 2010

Atividade desafio...


Levando em consideração que a figura acima, publicada na Revista Veja do mês de dezembro do ano de 2010, é o anúncio de um modelo ‘Azera’ da marca Hyundai e que um leitor, interessando na proposta, tenha recortado o anúncio, responda:
- Quem é o produtor do documento? Quem é o titular do documento?
- Qual a forma do documento?
- Qual a função que o documento exerce (nos vários contextos)?
O leitor, ao chegar à loja da Hyundai, descobre que a oferta anunciada não pode mais ser cumprida. Insatisfeito, o leitor dirige-se a um cartório para autenticar a cópia do anúncio da revista e procura o Procon para fazer uma reclamação. Ao chegar ao local, o atendente solicita o preenchimento de um documento de reclamação, a cópia do anúncio e uma cópia de seus documentos pessoais, formando assim um dossiê. De acordo com os conceitos apresentados por Luciana Duranti, responda:
- A cópia autenticada é diplomaticamente e legalmente autêntica? Justifique.
- Podemos afirmar que o anúncio publicado na revista continha informações falsas, uma vez que o vendedor não pode realizar a venda do veículo alegando que o valor apresentado estava abaixo do preço tabelado? Justifique.
Alguns anos depois, um pesquisador sobre a história do marketing no Brasil se depara com o anúncio na revista Veja. Quando está quase finalizando sua tese de doutoramento baseada neste documento, um amigo seu, que é arquivista, localiza o processo de reclamação, faz algumas cópias e, tentando ajudar, as distribui para o pesquisador, para o orientador deste e para os professores que irão compor a banca avaliadora do doutoramento. Responda:
Como fica, a partir dessas cópias, a autenticidade histórica do anúncio?
Qual seria o plano de classificação original, de onde o amigo arquivista fez as cópias?

Prazo para realizar esta atividade: às 18:59 do dia 14 de janeiro de 2011.
Atividade obrigatória.


Adrielly.

09 dezembro 2010

Dinheiro público, inquérito e diplomática



Há mais de dois, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) se tornou alvo da mídia, protagonizando a saída do reitor e o escândalo da lixeira de R$ 1.000,00, vocês se lembram? E se tornou também alvo de auditorias por conta das inúmeras irregularidades contidas em seus projetos, que são mantidos com o dinheiro público repassado pela UnB.


Passando pelo site do Correio Braziliense, encontrei uma nova reportagem sobre o caso. De acordo com o jornal, "(...) diferentes e tão ou mais graves irregularidades são apontadas por auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU)". O resultado dessa auditoria está em um relatório de 110 páginas, ao qual o jornal teve acesso com exclusividade.

O documento sigiloso mostrado na reportagem detalha as ilegalidades contidas em projetos gerenciados pela Finatec. Analistas da CGU apontaram indícios de fraudes em pagamentos feitos pela Finatec por serviços prestados na área de informática: notas fiscais com numeração baixa, emitidas do primeiro talão, notas fiscais com leiaute e padrão de impressão semelhantes, talões de notas ficais impressas pela mesma gráfica, contas bancárias para recebimento abertas no mesmo banco e agência, todas as empresas abertas como firmas individuais, mesmo contador responsável para todas as empresas. Além do mais, comprovaram que quatro empresas emissoras dos comprovantes de pagamentos funcionavam em endereço residencial e três delas não existiam (seriam empresas de fachada?). E olha que foram escolhidas aleatoriamente apenas 16 notas fiscais pelos analistas para a realização de auditoria (imagina se todas fossem auditadas?). E querem saber quanto a Finatec pagou por esses serviços (como manutenção de computadores e impressoras)? Apenas R$ 55 mil e tudo isso sem licitação.

A reportagem fala ainda sobre ilegalidades nos pagamentos de serviços prestados à Finatec. Quadrilhas foram formadas, houve lavagem de dinheiro, prisões foram decretadas e houve desvio de quase R$ 30 milhões. Não deixem de conferir (reportagem aqui).


Mas, o que isso tudo tem a ver com a Diplomática e com a Tipologia? Tudo. Afinal, estamos diante de documentos inautênticos e falsos. Ao realizar uma auditoria, o profissional está preocupado com os aspectos externo e interno do documento, com a sua mensagem e com o seu contexto de produção (o auditor também faz uso da diplomática, mesmo que sem saber). E é aí que entra a principal questão: existe a necessidade de determinar a autenticidade dos documentos arquivísticos e estudar a sua criação (em qual gráfica foram impressas? Quem é o emissor?), as suas formas (qualidade da impressão, signos especiais, data) e o seu trâmite (funções, contexto, responsável pelo pagamento das notas) para podermos identificar a verdadeira natureza desses documentos. O que vocês acham?

Estava com saudades de fazer um 'mix' entre a diplomática e os acontecimentos do dia a dia.

Vou ficando por aqui.
Beijos.

:)

Adrielly.

01 dezembro 2010

Arquivos sob prescrição médica



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou na última quinta-feira (28/11) a nova regra para a venda de antibióticos (Acesse aqui). A partir de agora o consumidor só pode comprar esses medicamentos mediante a apresentação de duas vias da receita de controle, dada pelo médico; uma delas ficará retida no estabelecimento e a outra volta ao paciente. Além disso, a validade da receita, que antes era usada várias vezes pelo mesmo consumidor, passa a ser de apenas dez dias, fazendo com que a mesma receita não seja utilizada inúmeras vezes pelo paciente. Tal medida visa o controle sobre a venda dos antibióticos, contribuindo para a redução da resistência bacteriana.

Medidas como essa impactam diretamente a constituição dos arquivos das farmácias do Brasil. Se antes a receita não era um documento acumulado obrigatoriamente por essas instituições, agora passa a ser uma excelente via de controle de vendas, por parte dos órgãos fiscalizadores. Todas as prescrições deverão ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). Dessa maneira, as farmácias devem manter por cinco anos o arquivo de movimentação de entradas e saídas dos antibióticos à disposição das autoridades sanitárias. 

Vale lembrar a importância da estrutura formal do documento e das informações que deverão constar na receita, conforme as regras do artigo 3º:

"Art. 3º: As prescrições somente poderão ser dispensadas quando apresentadas de forma legível e sem rasuras, por profissionais devidamente habilitados e contendo as seguintes informações:

I - nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em algarismos arábicos e por extenso) e posologia;
II - identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo);
III - identificação do usuário: nome completo;
IV - identificação do comprador: nome completo, número do documento oficial de identificação, endereço completo e telefone (se houver);
V - data da emissão; e
VI - identificação do registro de dispensação: anotação da data, quantidade aviada e número do lote, no verso".

Até mesmo as embalagens dos medicamentos receberam alterações, e a partir de agora devem ser vendidas com a inclusão da frase: "Venda sob prescrição médica. Só pode ser vendido com retenção de receita".

Importante observar a relação destas novas regras com a Diplomática, e a estreita relação da produção dos documentos às regras estabelecidas pelos órgãos governamentais. Arquivistas que, porventura, trabalhem em farmácias, fiquem ligados!

Postado por Rodrigo Ávila

21 novembro 2010

Documento inicial da "História sem fim"


A correta contextualização arquivística desse documento está indicada  nsse artigo (clique aqui para mais referências e/ou acessar a outros materiais relacionados ao artigo). O primeiro grupo, por ter recebido o documento apenas na tarde do domingo terá mais tempo para a atividade. Os demais grupos deverão se articular de modo a ser possível a realização de duas sequências por semana. A explicação da atividade e os prazos estão descrito no post anterior.

Nota de atenção para o "Olha o passarinho!": não vale isolar a foto 3x4 do documento. Tem que analisar ele na totalidade.

_____________
André

20 novembro 2010

Atividade História sem Fim


A atividade seguinte consistirá na criação de uma história a ser construída sequencialmente pelos blogs e será desenvolvida da seguinte forma:
  • Será indicado um documento ao primeiro blog (blog da vez).
  • Em seguida, o blog da vez fará a análise diplomática e tipológica do documento indicado.
  • Realizada a análise, o blog da vez terá de iniciar uma história envolvendo o documento analisado.
  • Analisado o documento e iniciada a história, caberá ao blog da vez indicar um documento a ser analisado pelo próximo blog (blog subsequente), capaz de dar continuidade à narrativa.
  • Da mesma forma, o blog subsequente deverá realizar a análise diplomática e tipológica; continuar a história iniciada pelo blog anterior e indicar um novo documento ao blog posterior.
  • A mesma atividade será desenvolvida sequencialmente por todos os blogs.

Requisitos para a atividade:

  • Fazer a análise tipológica e diplomática
  • Criatividade


O que tem que ter na postagem?
A Indicação de um documento para ser analisado pelo próximo blog que seja relacionado com a história contada e o nome do blog seguinte

Seguir, necessariamente, esta ordem:

  1. Olha o passarinho (prazo até às 18h59mim do dia 26/11 - 6ªf)
  2. Diplomática do prazer (prazo até às 21h00mim do dia 29/11, 2ªf, pode ser alterado se houver concordância do grupo subsequente)
  3. Cine Arq (prazo até às 18h59mim do dia 03/12 - 6ªf)
  4. Futebol na Gaveta (prazo até às 21h00mim do dia 6/12, 2ªf, pode ser alterado se houver concordância do grupo subsequente)
  5. Papel Manteiga (prazo até às 18h59mim do dia 10/12 - 6ªf)
  6. Papel Noel (prazo até às 21h00mim do dia 13/12, 2ªf, pode ser alterado se houver concordância do grupo subsequente)
  7. ArqComics (prazo até às 18h59mim do dia 17/12 - 6ªf)
  8. Aurquivo (prazo até às 21h00mim do dia 4/01/2011, 2ªf, pode ser alterado se houver concordância do grupo subsequente)
  9. Memórias Póstumas (prazo até às 18h59mim do dia 7/01/2011 - 6ªf)
  10. CAArq (prazo até às 21h00mim do dia 11/01/2011, 2ªf, pode ser alterado se houver concordância do grupo subsequente)
  11. Cemitérios (prazo até às 18h59mim do dia 14/01/2011 - 6ªf)

Observação: Esta tarefa é obrigatória
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Rosane

23 outubro 2010

Desafio diplomático

Em meados de 2005, a Câmara dos Deputados enfrentou grave crise, sob a presidência do então deputado Severino Cavalcanti. O clima tenso entre o presidente da casa e alguns deputados, aliado a posteriores denúncias, conhecidas como o "Escândalo do Mensalinho" e um documento comprometedor acabaram por provocar o término daquele mandado, por renúncia, em 21 de setembro de 2005.

A primeira parte do desafio consiste em, após buscar mais informações sobre o episódio, analisar o documento abaixo, sob à ótica da autenticidade e veracidade, a fim de explicar porque ele se tornou a peça-chave da renúncia:


A segunda parte consiste em fazer a análise diplomática e tipológica de excerto de debate entre os então deputados Fernando Gabeira e Severino Cavalcanti gravado pela TV Senado e reproduzido por internautas no You Tube:


Uma boa fonte de informações para a primeira parte da atividade é o 1º capítulo do livro de Luciana Duranti (disponível aqui) e vários post das turmas anteriores (como por exemplo este aqui).

Uma boa fonte para a segunda parte da atividade é a proposta de tipologia feita na dissertação de mestrado de Rosa Maria Gonçalves Vasconcelos: 
Os grupos devem postar a atividade nos próprios blogs até às 18:59 do dia 29/07 E indicar a referente url nos pitacos abaixo.

08 outubro 2010

Archiving social media


A arquivista Kate theimer apresentou ontem no site ArchivesNext reflexões importantes acerca dos mass medias (ACESSE AQUI). A discussão, ainda incipiente, parece começar a ser observada dentro dos debates atuais. Agora temos uma "nova" preocupação. Aliás, toda solução traz novas preocupações. Lembro-me de um excelente debate que tivemos na aula de Usuários da Informação, com o professor Murilo Bastos, onde foi apresentado o seguinte raciocínio: o processo de produção de dados eletrônicamente, a automatização dos escritórios, trouxe a preocupação com as informações que eram produzidas. Alguém perguntou: "E agora, o que fazer com todos esses dados?" Dai surge a gestão da informação (GI), para tentar tornar esses dados mais robustos e compreensíveis. Pois bem, a GI nos trouxe um outro grande problema: o que fazer com essa massa de informação que está sendo criada e subutilizada? Alguma mente brilhante levanta o dedo e diz, "já sei, vamos criar a gestão do conhecimento (GC)!". E agora, vamos colocar as pessoas pra se comunicar, criando redes de relacionamentos virtuais? Ok. Mas dessa vez não teve nenhum espertinho pra levantar a mão e perguntar: "mas quem vai preservar estas informações e se preocupar com a fragilidade desses materias, observando a autenticidade e fidedignidade dos mesmos?" O silêncio foi profundo. Alguém até chegou a cogitar a ideia de que "não precisa, a gente pode guardar tudo, é muito barato, custo zero". Papai noel  e o Coelhinho da páscoa até sorriram na hora. O problema agora grita em alto e bom som. Quem está preocupado com a preservação das informações dos meios de comunicação social? Que tipo de discussões teremos para começar esse trabalho? Quando essa discussão vai tomar lugar em nossas preocupações profissionais?

Cenas do próximo capítulo.


Postado por Rodrigo Fortes de Ávila

01 outubro 2010

Cara crachá?













Dando as boas-vindas ao calouros da disciplina, aproveitamos para começar a discutir questões importantes relacionadas à Diplomática. Mesmo não sendo ainda apresentados ao conteúdo em si, observamos a relação da matéria com o tema atual das eleições 2010. Matéria do G1, publicada em 22/09/2010, (acesse aqui) mostra imagens de títulos de eleitor com uma configuração diferente da vigente. Assim, analisando os documentos e seus caracteres essenciais, ou seja, que definem a espécie documental, e sabendo que, no próximo dia 03/10, vocês devem levar um documento de identificação com foto para votar, já podemos começar a pensar sobre as alterações destes e a sua funcionalidade nos dias de hoje. 

Além disso, podemos nos questionar o por quê da retirada da foto como elemento essencial de identificação da espécie, já que o Código Eleitoral de 1965 já exigia uma identificação pessoal no documento, e tal exigência foi derrubada em 1985. Alguém arrisca uma resposta? Huuummm, difícil, né? Pode-se ir mais adiante ainda e se questionar qual a relação desse fato das mudanças na configuração do documento com a tradição documental

Enfim, já temos boas questões para discussões, demonstrando a aplicação da nossa disciplina com temas atuais e cotidianos.


P.S: Esse post acaba de ser alterado devido a decisão do STF contrária a obrigatoriedade de apresentar o título de eleitor para votação. Além do prejuízo para milhares de pessoas que ficaram na fila para obter um documento que não precisa mais ser usado, a "novela" vai custar nada menos que R$ 3,2 milhões de reais, devido a campanha publicitária que começa a ser veiculada a partir de hoje, demonstrando a "lambança" do STF. 


A fila, o desespero e a preocupação das pessoas em cumprir a nova lei eleitoral geraram atitudes de falsificação de documentos, como foi o caso da aposentada em questão. (Acesse aqui). Pelo menos um fato é positivo nisso tudo: já temos muitos pontos para discutir. 


Obrigado Brasil! A equipe de Diplomática agradece pelo objeto de estudo.


Então, diante de tanta incerteza, o novo titulo de eleitor passa a ser esse aqui:



Boa eleição.
Postado por Flávia Ataíde e Rodrigo Fortes.

24 setembro 2010

Separando o joio do trigo


Não é de hoje que a discussão entre o que é público e privado ganha intensidade na Arquivística. A discussão ganha mais corpo e fica mais clara ainda no contexto da documentação política. O acervo do presidente Lula reúne joias, cartas, remédios e itens inusitados (ACESSE AQUI). Fica o interesse em saber como é tratada a parte de arquivo. Que parâmetros de classificação são utilizados? Sob que critérios é realizada a avaliação das informações? Enfim, que imagem do presidente esse acervo quer transparecer para as futuras gerações?

Aos interessados, a legislação que rege os acervos documentais dos presidentes da república é representada pela lei 8.394 (1991) e pelo Decreto 4344 (2002)

Postado por Rodrigo Fortes de Ávila

05 setembro 2010

O que será o amanhã?


No XVI CBA, Bruno Delmas nos apresentou um cenário intrigante da Arquivística. Com os sinais cada vez mais fortes da virtualização do documento, o questinamento feito por sua apresentação retoma a seguinte questão: qual o papel do arquivista diante da diluição do registro físico do documento de arquivo em bits? Com as tecnologias da informação marcando cada vez mais o compasso rumo à "desmaterialização" do documento, que cenários esperamos à profissão?

Os questionamentos feitos anteriormente ainda concorrem para outras indagações. Partindo do princípio de que o registro existe, nos resumiremos a dispô-los em ordem física? Caso contrário, se esta é a função de um arquivista, o que teremos que fazer se já não precisamos arrumar as coisas devido à sua imaterialidade?

Diante disso, Delmas apresenta três cenários diante da desmaterialização corrente. No primeiro o arquivista aparece, mas não com o ideal de dispor objetos, e sim com a preocupação da garantia da autenticidade e veracidade, trazendo nesse argumento a importância da Diplomática contemporânea, bem como o destaque do processo de atualização das informações custodiadas pelos arquivos. Já no segundo cenário, o arquivista some, vira pó. Logicamente por que não se tem documento físico, e se esse se resume ao trato deste, não há mais razão quando não se tem mais esse objeto. E por último, o futuro de que tudo é incerto. E acrescentaria aqui que este é o presente. Ou seja, o futuro seria a projeção do que vivemos.

Apesar de antigas, são questões que devem ser relembradas e que merecem destaque diante da problematização de nossa conduta profissional. Caso contrário, teremos que chamar o caça-fantasmas para procurar os arquivistas que ficaram nos escombros de seus princípios teóricos.

Postado por Rodrigo Fortes

13 julho 2010

Quem sou eu?



Depois da conquista do Mundial pela Espanha, que provou aos quatro cantos do mundo que é possível apresentar um futebol atraente, jovem e vencedor, me deparo com um problema de ordem Diplomática. Sentado e tomando um café, penso que se a nossa candidata à presidência da república, Dilma Rousseff, tivesse assistido a pelo menos uma das aulas na UnB não teria afirmado que apenas rubricou, e não assinou o programa de governo do PT registrado pelo TSE, que pregava a taxação de grandes fortunas, a redução da jornada de trabalho e o controle social dos meios de comunicação. Acesse aqui a matéria publicada.

Quer dizer então que eu posso dizer que esse post não é de minha autoria, logo não me responsabilizo pelas informações aqui vinculadas? Já que não existe assinatura, só o meu nome no final, não tenho nada a ver com isso?

Observamos durante as aulas que a assinatura é uma característica intrínseca à autenticidade do documento. Mas qual seria a diferença, minha "provável" presidenta, entre esta, a rubrica, o nome daqueles que fazem comentários aqui no blog e até mesmo dos que postam textos, colocando no final a sua identificação? O curioso é que a nossa candidata começa a seguir o mesmo caminho da agenda do governo Lula. Não basta apenas ser a continuidade em termos de programa de governo, é preciso também repetir as máximas do "Não fui eu", "Eu não vi", "Não sei de nada", e "Não assinei, apenas rubriquei". Afinal, tudo o que é dito aqui é opinião de quem posta. Mas como eu não assino, posso falar mal de quem eu quiser mesmo. E tudo o que foi dito pelos comentários nos "posts-motivação" não vale de nada, já que, afinal, ninguém pode ser identificado se não for pela assinatura, né?

Vou parar por aqui só por que o Fernando Pessoa me cutuca aqui do lado. Ele falou que quer falar com essa tal de Dilma. Afinal de contas, o cara foi mestre em criar heterônimos e já assinou como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis... Agora ele pergunta quem ele é. "Ora pois, 'Pissoa', sei lá. Pergunta pra Dilma"!

Rodrigo Fortes de Ávila ... ou não.

12 julho 2010

Diplomática sobrenatural

E a Era de Desafios continua...

O desafio que vcs devem fazer essa semana é o que foi proposto pelo blog Diploarte. O link para o desafio deles é esse aqui Desafio Diplomática do Além


OBS1: Essa é uma atividade Obrigatória e deverá ser feita até o dia 16/07.

OBS2: Cada blog pode postar, se quiser, é claro, o seu desafio no seu próprio blog, desde que postem também a indicação na parte dos pitacos desta postagem que vos fala, ok??!!

Bom desafio pra vcs!

Thalissa Velter.

05 julho 2010

Não esqueçam que vcs devem responder ao desafio proposto pelo blog Fundo de Garagem! Isso pq o desafio deles será considerado tarefa obrigatória e deverá ser realizado até o dia 05/07.

Já lembraram, né????
Com certeza sim!!!!!!

Bom desafio pra vcs!

Thalissa Velter. =)

30 junho 2010

I qembu le sizwe!

Hã? O quê? Pois é. Já que a marca registrada dessa Copa do Mundo são os erros, ai vai mais um. Um anúncio publicado no jornal impresso do supermercado Extra, patrocinador oficial da seleção, foi tentar escrever no idioma Zulu e acabou eliminando a seleção brasileira antecipadamente. E como as discussões dessas últimas semanas perpassaram a questão da autenticidade e veracidade, temos ai mais um exemplo da aplicação desses conceitos no dia a dia. O jeito agora é torcer para que esse fato não tenha nenhum pingo de premonição. O blog Fundo de Garagem (alterado pelo coment do Matheus) lançou a ideia, ainda no início das atividades, de escrever no idioma da Copa, mas, por favor, estudem bastante pra não dar esse tipo de mancada. Agora só resta esperar pra que o Pelé não se pronuncie quanto ao futuro da seleção neste mundial. Tendo em vista que ele vai ter oportunidade de falar, já que virou comentarista oficial do SBT.

Rodrigo Fortes

29 junho 2010

O clássico na Diplomática (solução)



Após uma semana de avaliação da atividade sobre o clássico na diplomática, a equipe observou os trabalhos postados pelos grupos e chegou ao seguinte resultado:

(Melhor análise)

Além disso, o grupo fez um ótimo "post-resumo" sobre as diferentes formas de autenticidade, demonstrando uma boa leitura da Duranti. Confiram aqui.


O grupo apresenta uma excelente diferenciação entre as autenticidades diplomática e legal, além de responder a todas as demais questões de maneira completa. Apenas um deslize foi cometido:  a camisa do Flamengo não é autêntica diplomaticamente (apenas legalmente), mas é verídica; já que as cinco estrelas correspondem  ao penta brasileiro e uma se relaciona ao Mundial (já que o Hexa ainda não foi reconhecido pela CBF - veja aqui, no ano de 1987). Tais atributos não conferem a camisa a genuinidade. Do mesmo modo, a camisa do Corinthians não é genuína, contudo, ao contrário da do Flamengo, é inautêntica (legal e diplomaticamente) porém verídica.

A camisa diplomaticamente autêntica do Flamengo corresponderia a esta aqui:


Observem que só há uma estrela: a do mundial.

Contudo, alguns pontos que devem ser destacados para a justiça das averiguações:

 - LANCHONETE DO ROBERTO: vai um pouco além na análise diplomática da camisa do Corinthians, trazendo alguns elementos que estão presentes na camisa original, evidenciando a inautenticidade da camisa em questão (ponto positivo). Porém, o grupo analisa a autenticidade histórica por intermédio da relação entre as camisas em épocas distintas, afirmando que esse atributo não está presente por não se tratar da mesma camisa usada na época. Logo, esquece-se de analisar os fatos envolvidos nas estrelas da camisa. Além disso, dá uma embolada na análise da autenticidade legal da camisa do Flamengo, deixando o leitor em dúvida quanto ao verdadeiro posicionamento do grupo;

 - HORA DE COMUNICAR: traz uma diferenciação estranha entre os conceitos de veracidade histórica e autenticidade histórica;

 - DIPLOARTE: afirma que a camisa não tem autenticidade histórica. A verdade é que o título foi reconhecido pela FIFA, ação que confere este atributo à camisa.

Acreditamos que o mais importante foi observar que os conceitos já estão bem definidos pela maior parte dos grupos, e ficamos bem animados com o retorno que a turma vem dando na análise dos conceitos. E como o blog LIGA VAI foi o grande vencedor, os integrantes do grupo podem passar na FCI pra pegar esta camisa novinha, usada apenas uma vez pelo meu cachorro Maradona. Opa, um instante... meu celular tá tocando aqui em cima da mesa.

Postado pela equipe.
Imagem escolhida por André Lopez

27 junho 2010

Interfaces entre diplomática e classificação.


Na última semana de maio, como desdobramento da discussão sobre a tipologia documental dos Archiveros de Madrid, esse blog lançou um post-motivação relativo á preponderância do documento (caracterizado diplomaticamente e por suas funções) na organização documental em contraposição à adoção de esquemas pré-definidos, pautados pelos conteúdos dos documentos. Em cinco dias houve mais de 30 comentários, que representaram um interessante debate sobre às práticas de classificação adotadas no Brasil, com um olhar crítico às determinações do Conarq. A discussão ainda trouxe à baila os procedimento adotados pelo Arquivo do Estado de São Paulo. Como estado da Federação e, portanto, vinculado à cabeça do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR), o AESP não poderia, em tese, furtar-se à resolução 14 do Conarq, ou poderia? 

De qualquer modo, a discussão, a partir da classificação embasada nas espécies e tipos documentais promove um importante debate sobre as práticas adotadas no Brasil, normatizadas por um esquema temático de quase 10 anos de idade. Essa discussão é mais do que necessária para o avanço da área, porém nem sempre é aceita por parte daqueles que detém o poder de chancelar o que é e o que não é arquivisticamente válido no Brasil, independentemente do embasamento teórico e científico. Discussão sobre as posições formais do Arquivo Nacional que minam o tão necessário debate acadêmico foi realizada durante o XV Congresso Brasileiro de Arquivologia em Goiânia, em 2008.  Quem tem medo do debate?


Links relacionados ao tópico:

25 junho 2010

Os irresistíveis falsários: autenticidade e veracidade (ainda...)


O filme "Os irresistíveis falsários" é uma divertida comédia, que foi candidata ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 1993. Acesse aqui wiki sobre o filme. A falsificação dos diários de Hitler foi baseada em um fato real, que teve como principal protagonista uma famosa revista que "deu com os burros n'água" quando a faude foi descoberta. Assista aqui reportagem sobre o fato. Está em alemão, mas vale à pena pelas imagens dos falsos diários "originais", bem semelhantes aos do filme.

Como nesta semana já temos o desafio do Fundo de Garagem a tarefa sobre o filme ficará reduzida à análise de 3 documentos apenas:

A) O quadro de Eva Braun:

B) Os diários de Hitler:

C) A carta de Hitler que atesta a autenticidade dos diários, pedida ao Prof. Knobel, quando ele estava com um surto de febre.


A tarefa consiste em, para cada um dos documentos indicados acima:
a) explicar quem atestou a autenticidade deles;
b) discutir se se são diplomaticamente autênticos;
c) analisar se são legalmente autênticos;
d) definir se são historicamente autênticos;
e) explicar se são verídicos.

E, por fim, apenas para relaxar, um pouco de boa música:

O prazo se encerra às 18:59 (hora de Brasília) do dia 02/7/2010.

Desafios de diplomática e tipologia viram epidemia.


A era dos desafios deste blog começou em 26 de março, com uma problematização ligada à greve dos professores. A coisa evoluiu para desafios orientados, e desafios de ex-alunos. Hoje estava me preparando para lançar mais um desafio quando me deparo com a informação de que o grupo Fundo de Garagem (ver foto do líder aqui) se antecipou e postou seu próprio desafio! 

Como hoje não tivemos aula a tarefa de todos os grupos, é responder ao desafio lá na garagem deles (in loco ou com link). Como o prazo é até o dia 05/7, o Fundo de Garagem terá mais 1 semana para comentar as respostas e anunciar o vencedor. A qualidade da tarefa deles será aferida pela qualidade das respostas dadas aos participantes.

Postado por André Lopez